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UOL – Como a senhora caracteriza esses dois conceitos: ser feminina e ser feminista?

Melissa Vogel – Vou dar um exemplo de ser feminina: um dia estava me trocando em casa para dar uma palestra. Havia colocado uma roupa que era uma roupa mais sóbria. Pensei: “Quer saber? Eu vou feminina”. E fui feminina, de saia colorida, camisa. Isso para mim é ser feminina.

Ser feminina é ser quem eu sou, do jeito que quero ser, com a unha pintada como eu gosto, do meu jeito de me vestir. Ser feminista é entender qual é o lugar da mulher, o papel da mulher, mas sem exageros. Fugimos muito para o lado de lá. Ser feminista é entender qual o ponto de vista do homem em relação à mulher.

A mim me incomodam muito esses eventos de diversidade e inclusão que só têm mulher. Não! Eu quero discutir o assunto da mulher com o homem junto para que o homem fale desse assunto comigo. Para mim, são esses dois paralelos entre ser feminina e ser feminista.

O que mudou na Kantar com a chegada da primeira mulher presidente?

A minha posição é emblemática por algumas razões. Construí a minha história dentro da organização, as pessoas conhecem essa história, e isso vira uma grande referência.

Outra coisa é que me tornei CEO da operação da Kantar Ibope Mídia do Brasil dois anos depois que a organização foi comprada por uma empresa global. Esse é um outro sinal muito bom de que uma pessoa que conhece o mercado brasileiro, centrada no Brasil, trabalhando há 23 anos, assumiu.

Outra razão é o fato realmente de ser mulher. Isso mostra o quanto a empresa busca essa questão da diversidade, da inclusão. É muito interessante que, quando fui nomeada, as mulheres passavam por mim e diziam “eba”, porque há um sentimento de orgulho, de “essa pessoa me representa”.

É claro que isso tudo desmoronaria se não houvesse toda a competência técnica, todo o carisma, toda a questão de ser líder. Mas, sim, há o fato de ser mulher, que traz outra identificação.

Houve alguma mudança na sua gestão em relação à diversidade e à mulher?

Além da história de apoiar e incentivar, há a preocupação com o que mais de diversidade e inclusão vamos fazer. Como trabalhamos melhor isso? O que fazemos em relação às etnias? Temos vários grupos que discutem esse assunto.

Quando você trabalha em uma empresa global e você é latino até a sua dificuldade de se comunicar com quem está lá fora passa por uma reflexão de diversidade e inclusão. Como faço se quero ser uma empresa global? Como respeito essas diferenças?

Acho que até pelo fato de eu ser mulher, penso que o assunto mulher está resolvido, vamos partir para outro? Isso fez uma grande diferença também.

Quais as dificuldades e desafios que a senhora enfrentou por ser mulher?

Atuo há 23 anos numa companhia que mudou muito porque foi adquirida recentemente por um grupo global, mas à minha volta, por sorte, eu sempre tive grandes exemplos de lideranças femininas. Nunca senti essa questão de ser mulher dentro do grupo Kantar. Aqui no Brasil, atuamos em quatro divisões diferentes, das quais três são lideradas por mulheres.

Ao meu redor nunca senti porque tive outros exemplos, mas é claro que sempre quis fazer trabalhos de fomento para o desenvolvimento feminino. Porque você encontra realidades na casa das pessoas que fazem com que elas não consigam ter essa facilidade.

Estou num ambiente propício, mas entendo a dificuldade de algumas mulheres de chegar lá. Quando eu conto a minha história, isso vira exemplo para as pessoas. Para mim, isso já é uma grande contribuição.

Como gerar emprego para 13 milhões de desempregados e para essa geração que está chegando ao mercado?

Faz parte de um programa de diversidade e inclusão também trazer jovens e estudantes, sejam universitários ou menores aprendizes, porque quando você dá oportunidade para um aprendiz também está dando oportunidade para que essa pessoa evolua.

Dentro da Kantar temos vários programas de diversidade. Dois deles focados em menor aprendiz e outro focado em estagiários e trainees, e é impressionante como um grupo de estagiários faz bem para a organização inteira.

Eles trazem um ar de inovação, uma característica de mais risco. Grande parte dos estudos que hoje levamos para clientes nasceu das cabeças de estagiários porque eles não criam uma hipótese antes.

Eles têm novas ideias, então é interessante porque um projeto de inteligência, de pesquisa, quando sai de um estagiário não sai para comprovar uma tese, sai exatamente porque eles querem descobrir o novo.

A senhora começou no Ibope como recém-formada. Que dicas daria para quem está começando uma carreira?

Quando você sai da faculdade, não sabe muito bem qual será o lugar dali a um, dois ou três anos. Quando fui trabalhar no Ibope, fui porque gostava do assunto informação, dados, inteligência. Não gostava da minha primeira posição, mas sentia que ali era um lugar que faria muito sentido. Eu digo para os estagiários: “Aprendam tudo o que podem”.

Se existir uma coisa que hoje não está fazendo sentido, lá na frente você vai lembrar e falar: “Nossa, isso aqui faz sentido”. Então, aprenda e seja curioso. O próximo passo é: seja generoso, mas não no sentido de ser bonzinho, seja generoso ao compartilhar conhecimento, ao compartilhar suas ações, ao dividir.

Quando você aprende tudo isso, você aprende a empatia, seja empático com o outro. E o que é isso? Se coloque no lugar da outra pessoa o tempo inteiro, seja para entender o ponto de vista dela, mas também ajudando o crescimento dessa pessoa. Para mim, são essas as regras.

O que a senhora espera do atual governo?

De uma maneira geral, espero que o Brasil cresça e que sejamos felizes. Estamos precisando ser felizes. E, se o Brasil vai bem, isso ajuda muito para que sejamos felizes.

O que a inspira e a apaixona?

No meu dia a dia de trabalho, o que me inspira é ver o crescimento coletivo. Tenho um grande prazer quando vejo resultados sendo alcançados, a empresa crescendo, as pessoas crescendo junto, ou mesmo saindo e indo para outro lugar, mas crescendo. Poder sentir prazer e satisfação naquilo que ela faz, podendo oferecer conforto para o seu entorno, para a sua família, isso me dá um grande prazer.

No geral, o que me apaixona é o novo desafio, é a mudança. Quer ver a Melissa com brilho nos olhos é contar para ela que ela tem um novo desafio, um novo objetivo. Claro que depois meu olho brilha quando eu conquistei, mas aí está na hora do próximo. E sempre com as pessoas ao meu redor trabalhando e vivendo junto nisso.

E o que dá medo?

A solidão me dá medo, ficar sozinha. Não é uma solidão momentânea, porque preciso dos meus momentos, mas olhar para o lado e ter que perguntar quem é que está comigo. Acho que isso é a coisa que mais me assusta.

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