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A safra de cevada, matéria-prima da cerveja, registrou um crescimento de 32,3% no Paraná, que responde por cerca de 60% da produção nacional dessa cultura de inverno. O estado colheu 219,2 mil toneladas, com rendimento médio de 4.000 kg por hectare, ante as 165,7 mil toneladas da safra 2017/18, segundo números da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Dados do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, apontam que a área plantada dessa cultura de inverno no estado também cresceu, passando de 51 mil hectares para 55,7 mil. A previsão para a safra 2019/20, que começa a ser plantada em junho, é de um aumento de 10% na área.

Além do clima mais frio exigido pela cevada, a vantagem dos produtores do Paraná é a proximidade com a maior maltaria da América Latina, a Agrária, que produziu no ano passado 353 mil toneladas de malte e espera atingir neste ano 360 mil toneladas ou 100% de sua capacidade. A indústria, que integra a Cooperativa Agroindustrial Agrária, fica em Guarapuava, região centro-sul do estado que é responsável por 63% da cevada paranaense.

A Agrária, que atende 30% da demanda nacional de malte Pilsen, fecha contrato anual de compra de toda a produção com os cooperados, fornece as cultivares testadas em fundação de pesquisas própria, auxilia na compra de insumos e dá assistência técnica às lavouras.

Noemir Antoniazzi, agrônomo da Fapa (Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária), afirmou que, até o final da década de 90, todas as cultivares usadas na região eram desenvolvidas pela Embrapa, mas atualmente 100% das linhagens disponibilizadas aos produtores são importadas da Europa e testadas por cinco ou seis anos antes de ir para o campo. Cerca de 10% da cevada entregue na cooperativa é descartada por não ter alta capacidade de germinação, condição necessária para virar malte, elemento que garante cor, corpo e sabor da cerveja.

“Com variedades genéticas mais competitivas e mais tecnologia de cultivo, os produtores do Paraná se destacam, e a maioria vem conseguindo aumentos de produtividade a cada ano.”

Antoniazzi disse que, na melhor safra da história, em 2016, chegaram a ser colhidos 7.200 kg por hectare. Na safra passada, a produtividade esperada era de 6.000 kg, mas o excesso de chuvas na época de enchimento de grãos derrubou a média para 4.000 kg.

Andreas Milla, descendente de agricultores croatas e produtor de grãos em Guarapuava, disse que a sua lavoura tinha potencial para chegar a 5.000 kg/ha na safra passada, mas a chuva atrapalhou, e ele fechou com pouco mais de 4.000 kg. Neste ano, ele vai plantar 400 ha de cevada, ante a média de 300 das safras passadas.

“Desisti de plantar trigo porque a cooperativa ofereceu melhor condição para a cevada e cultivares ainda melhores”, disse. Ele cita também como fatores para o investimento o cenário macroeconômico e político mais favorável neste ano, com a troca de governo, e um aumento da segurança jurídica para o agronegócio.

Já Reinholt Holdhoser, descendente de alemães, vai reduzir sua área de cevada em Guarapuava de 90 hectares para 70 devido à necessidade de rotação de culturas. Mesmo assim, espera aumento de produtividade. Na safra passada, fechou em 4.700 kg/ha ante um custo de produção de 3.700 kg/ha.

Aumento de cervejarias

O Brasil está longe de ser autossuficiente na produção de cevada para malte. Segundo a CervBrasil, entidade que reúne as quatro maiores indústrias de cerveja do país, o mercado brasileiro consome, em média, 1,5 milhão de toneladas de malte de cevada todos os anos. Desse total, o Brasil produz 335 mil toneladas, próximo de 22%. A maior parte, 73%, vem da Argentina e Uruguai. A Europa fornece 5%.

Temperaturas altas, excesso de chuvas e falta de mais maltarias explicam a defasagem, mas o número de cervejarias, especialmente as artesanais, cresce cerca de 30% ao ano. Em 2018, o país ganhou 210 novas fábricas, chegando a 889, segundo a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal.

Paulo Petroni, diretor executivo da CervBrasil, disse que a produção nacional de cerveja vem caindo nos últimos quatro anos (de 13,9 bilhões de litros em 2015 para 13 bilhões no ano passado) devido à dificuldade de retomada da economia, mas a indústria mantém confiança na volta do ciclo de crescimento sustentável. O setor fatura R$ 107 bilhões por ano.

Tereza Cristina fala sobre os desafios do agronegócio em 2019

Band Terra Viva

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