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UOL – O que o senhor acha da reforma trabalhista?

Carlos Eduardo Padula – É um primeiro ponto muito importante. Nem de longe estamos adaptados ao mercado mundial. O ‘part time’ [trabalho em meio período], por exemplo. Se você tem um restaurante ou uma loja de varejo, o fluxo em um sábado ou domingo é totalmente diferente de uma segunda-feira.

Como equalizar a equipe de loja desta forma? Se você equaliza pelo limite do sábado, você é ocioso durante a semana, e as margens não permitem isso. Se equaliza pela segunda-feira, atende bem o seu cliente no sábado.

Essas regulamentações são superimportantes porque possibilitam esse entendimento entre empregador e empregado. Que os dois busquem as suas necessidades sem este protecionismo de uma legislação que é de décadas passadas, de outro momento do mundo.

Acredito que foi só o primeiro passo, e já sentimos bastante o reflexo. As discussões na Justiça caíram de 70% a 80% em 2018 com essa nova lei.

Leio matérias de países como Inglaterra, Estados Unidos e acho que as partes têm que ser responsáveis. Não posso simplesmente ir para a Justiça pleitear o que não é meu direito, e fica tudo por isso mesmo. Hoje existe uma penalidade se o pleito não for justo.

Defendo uma tese que, quanto mais o governo quer proteger, mais enfraquece o cidadão. O cidadão é capaz. Quando o governo dá mais liberdade para as partes, a sociedade aprende a evoluir com isso, e cada cidadão aprende o seu caminho. Somos mais fortes com menos intervenção do governo.

O trabalhador mais pobre não ficou vulnerável com a reforma?

Uma regulamentação mínima tem que existir. Não podemos não ter.

Uma regulamentação da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho]?

Não. Eu acho que uma adaptação da CLT à realidade de hoje.

A brincadeira mais comum que todo mundo faz é que não vê ninguém fugindo dos Estados Unidos para vir trabalhar no regime CLT. A renda per capita deles é muito maior do que a nossa.

Há alguns anos assistimos à derrocada do ABC [região metropolitana de São Paulo, berço do movimento sindical paulista]. O movimento sindical deixou as regulamentações tão fortes que as companhias, o capital, foram dar emprego em outro lugar.

Há um ponto importante que não é no Brasil, é no mundo: o capital vai buscar a melhor solução. Eu brinco que o capital é igual a água. Ela busca o caminho mais fácil. É a regra mundial de como o capital é conduzido. Se você não estruturar uma maneira de o capital se remunerar justamente, ele vai se remunerar em outro país.

A velocidade com que o Brasil se desindustrializou e deixou de dar emprego nos últimos 20, 30 anos é brutal. Hoje a nossa indústria não representa mais do que 12% do nosso PIB [Produto Interno Bruto]. Geramos empregos em outros países.

Será que estamos protegendo o nosso trabalhador com 12 milhões de desempregados? Essa é a minha preocupação. O nosso emprego está fora do Brasil.

Sem dúvida, não é regulamentação zero, mas a regulamentação que tínhamos, chegou a um ponto que não ajudava mais. Ela dificultava a geração de emprego. Você prefere não correr o risco de gerar um novo emprego porque depois, para desmobilizar esse emprego, o custo é muito alto.

Se você montar uma empresa nos Estados Unidos e investir o patrimônio que você tem, que é de US$ 100 mil, o máximo que você vai perder nessa empresa são os US$ 100 mil.

No Brasil, se você tem R$ 100 mil e monta uma empresa, você pode perder R$ 1 milhão, [dinheiro] que você não tinha. Isso dificulta todas as iniciativas porque o peso do risco é tão grande que você prefere não entrar no jogo.

E a reforma da Previdência?

O Brasil deveria estar vivendo o boom demográfico. Isso foi muito falado anos atrás. Todos os países desenvolvidos ou que se desenvolveram nesta época, como a Coreia do Sul, por exemplo, conseguiram construir riqueza para apoiar o envelhecimento.

Infelizmente o Brasil vai virar um país velho sem ter feito essa poupança. Estouramos todas as contas possíveis e imagináveis antes de enriquecer, e isso vai ter um custo.

Fico assustado quando vejo políticos que nos representam ainda não levarem isso com seriedade para o futuro do país. A reforma da Previdência é inevitável, essa conta vai ser paga. Se será com mais dor ou menos dor, a sociedade está descobrindo.

O que o senhor acha de uma reforma fiscal?

Esta deveria ser a prioritária, mas acho que é mais complexa. O sistema tributário brasileiro, além de caro, é complexo, e aí se torna caro duas vezes. Além da carga tributária da ordem de 35% do PIB, a maneira como é construída e a base sobre a qual ela é tributada impõem a cada empresa a necessidade de ter uma estrutura interna para fazer todos os controles.

Temos lojas em praticamente todos os estados do Brasil. Em cada estado que eu vou entregar um produto, tenho questões de diferença de tarifas de ICMS estaduais, substituição tributária. É quase impossível entender, e isso custa muito caro.

Pagamos duas vezes no Brasil: pagamos porque o tributo é alto e pagamos porque ele não é inteligente, é extremamente burocrático, mal construído e isso impõe um custo de arrecadação muito alto também. Sem a reforma, não consigo enxergar o Brasil como um player importante.

As decisões dos legisladores mais ajudam ou mais atrapalham as empresas?

No nosso ramo, em termos de regulamentação, não sinto tanta dificuldade com o governo. Para que o Brasil seja competitivo, precisa ser eficiente. Esse é o nosso grande problema.

Estudos mostram que a produção média de um trabalhador brasileiro é um quinto da de um alemão, um coreano ou um americano. Não é o trabalhador que trabalha mal, não é isso, temos grandes profissionais no Brasil. O problema é que o conjunto que está por trás disso tudo, que dificulta a produtividade em todos os sentidos, seja por infraestrutura, carga tributária, por legislação trabalhista.

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