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Espero, sinceramente, que você leia esta reportagem até o final. Mas vou dar um spoiler.

Dr. Celso Boaventura - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook

Página ‘Dr. Celso Boaventura Oftalmo’ no Facebook

Imagem: Reprodução/Facebook

A foto que ilustra esta página do Facebook foi obtida em um banco de imagens internacional. Então, se é que existe um Dr. Celso Boaventura, certamente, não é este modelo que aparece em sites e perfis do mundo inteiro. Nós o encontramos como Dr. Ramón Fernández, Julián Sotomayor, entre outros tantos nomes e em todos os continentes.

Outro ponto que já vou adiantar: o endereço divulgado nesta página é falso. Não há esta numeração na Avenida Paulista, em São Paulo.

Agora, vamos voltar um pouco. No início desta semana, uma seguidora me perguntou se podia confiar e comprar em uma página que havia acessado no Facebook. Ela se referia à página “Dr. Celso Boaventura – Oftalmo”. Fui conferir.

A página foi criada há pouco tempo, no dia 09 de junho, e conta com uma única postagem; a tal foto do Dr. Boaventura e alguns comentários de usuários inseguros, como este: “Depois que você faz o pagamento, eles não atendem. Nem mensagem, nem áudio, nem telefone…”.

Estes comentários evidenciavam uma relação comercial que não era tão óbvia ao navegar pelo perfil do suposto oftalmologista. O que ele estaria vendendo, afinal?

O que nem todos sabem, porém, é que para aumentar a responsabilidade e a lisura das páginas, o Facebook mantém algumas informações públicas. Basta acessar a seção: “Transparência da Página”.

Nesta seção, eu pude descobrir que esta página está fazendo anúncios publicitários. Os administradores investem um determinado valor para que suas postagens, não necessariamente acessíveis no histórico de publicações, apareçam para o maior número possível de pessoas. Eu começava a compreender, então, onde estava a relação de compra e venda.

Atualmente, são três anúncios. Todos eles, incluindo um que, claramente, utiliza a fonte das Lojas Americanas, levam para o site 123achei, que divulga o produto “Óculos Ultravision 3.0”, supostamente importado da Alemanha, que dispensa receita e tem dois anos de garantia e frete grátis para todo o Brasil.

Ultravision - Reprodução/123achei.site - Reprodução/123achei.site

Ultravision 3.0 – Óculos anunciados por página do Facebook não precisam de receita

Imagem: Reprodução/123achei.site

Os preços são baixos para um produto importado e o prazo de entrega é muito alto, podendo chegar a 35 dias úteis. Preço abaixo do mercado, prazo de entrega elevado? Dois indícios de fraude. Já vimos esta história com a 123importados, cuja quadrilha foi presa.

Outro indicador: de volta a página do suposto oftalmologista, há quatro avaliações positivas, todas elas feitas no mesmo dia. Não parece estranho que todas as pessoas que tenham decidido manifestar-se positivamente acerca da página “Dr. Celso Boaventura – Oftalmo” tenham optado em fazer isso exatamente na mesma data? E ainda temos elementos que nos permitem acreditar que um dos comentários foi realizado pelo proprietário da empresa responsável por intermediar os pagamentos dos óculos alemães.

Parece ficar claro, então, porque a página não divulga o CRM do, ao que tudo indica, falso oftalmologista.

Através do CNPJ da empresa responsável por intermediar a compra no site 123achei, identificamos tratar-se da G.H.Machado, uma companhia com menos de 1 ano, capital social de R$ 10 mil e situada no município de São Carlos, interior do estado de São Paulo.

Enviamos e-mails para o endereço divulgado no site e para o sócio proprietário da empresa, comunicando-o que publicaríamos esta matéria e solicitando o telefone e o CRM do Dr. Celso Boaventura, mas não obtivemos retorno até o fechamento desta reportagem.

Não bastassem todos os indícios que tornam esta página, no mínimo, suspeita, ainda podemos analisá-la da perspectiva da ética médica que, entre seus princípios, estabelece a vedação da medicina como forma de comércio. Acerca deste tópico, no site do Conselho Brasileiro de Oftalmologia consta o seguinte comentário: “A Medicina não pode, em nenhuma circunstância ou forma, ser exercida como comércio. É esse fundamento que coíbe, por exemplo, que o médico exerça a Medicina em conjunto com farmácias, óticas ou intermediários de medicações utilizadas em sua atividade”.

O site divulgado pela página do oftalmo anuncia, com bastante destaque, que o consumidor não precisa de receita médica ou de exames caros para comprar seus óculos de grau.

O artigo 58º do código de ética médica estabelece que “a mercantilização da Medicina é caracterizada em qualquer prática médica em que se extrapolem os preceitos éticos colocando o lucro ou vantagens econômicas à frente da vida, da saúde e da integridade humana do paciente”.

Conversamos com a Drª. Adélia Rossi, CRM 84879, médica oftalmologista do CEMCJ, Centro de Especialidades Médicas Cidade Jardim – OCJ – Oftalmologia Cidade Jardim, em São Paulo/SP.

A doutora esclareceu que “no Brasil, a prescrição de óculos de grau é um ato médico”.

Ao ser conivente com um anúncio que incentiva a compra sem exames e sem receita, comete-se um crime grave e atenta-se contra a saúde do paciente. “Somente o médico oftalmologista é capaz de avaliar a queixa do paciente e os seus sintomas e os correlacionar com o exame refracional (exame do grau do óculos). O exame refracional exige capacitação e habilidade para poder auxiliar o paciente a melhorar sua visão. A prescrição equivocada pode gerar fadiga ocular e esforço visual, com sintomas de dor de cabeça, ardor nos olhos e visão embaçada”.

A Drª Adélia faz um alerta sobre as graves enfermidades que podem estar por trás de um problema de visão, a importância do diagnóstico e ao fato de que nem sempre o uso de óculos é recomendado. “A dificuldade visual pode decorrer de doenças oculares graves e até mesmo cegantes, como: ambliopia nas crianças (olho preguiçoso), degeneração macular relacionada a idade, e o glaucoma. Muitos sinais oculares são reflexos de problemas sistêmicos (que afetam o corpo todo), e muitas vezes graves e/ou agudos, por exemplo: visão dupla, exoftalmia (olhos saltados), estrabismo agudo, nistagmo, hemorragia ocular, entre outros. Consideremos que nem todos os pacientes com algum grau teriam indicação para o uso de óculos, e somente a consulta com o oftalmologista pode determinar isso. Várias doenças sistêmicas podem ser diagnosticadas ou ter como primeiro sinal alguma alteração ocular. Algumas delas, muito comuns em nossa população, como a DM (diabete mellitus) e a HAS (hipertensão arterial sistêmica) podem gerar ou piorar algum erro de refração (presença de grau)”. E conclui: “Sem a avaliação de um oftalmologista esses sinais clínicos podem passar despercebidos”.

Por enquanto, ainda não é possível afirmar categoricamente que a empresa não irá entregar os produtos. Meu compromisso, porém, é o de orientar os leitores a se protegerem de golpes, ainda mais neste momento em que, por conta da pandemia do coronavírus, os crimes virtuais têm aumentado sensivelmente e minha recomendação é que você evite comprar neste site e que não confie nos anúncios que forem realizados pela página “Dr. Celso Boaventura – Oftalmo”.

E lembre-se: consulte um oftalmologista. Você pode procurar no site do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

Fiquem todos bem!

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