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A Petrobras lançou nesta sexta (29) novo processo de venda da distribuidora de gás de cozinha Liquigás. Desta vez, a estatal decidiu restringir a participação de empresas que já atuam no mercado, para evitar novo veto do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Maior distribuidora de botijões de gás do Brasil, a Liquigás chegou a ser negociada com o grupo Ultra, que controla a concorrente Ultragaz, e se dispôs a pagar R$ 2,8 bilhões em 2016. Em 2018, porém, a operação foi vetada pelo órgão de defesa da concorrência diante do potencial de concentração do mercado.

No processo anunciado nesta sexta, a estatal restringe a participação de empresas com mais de 10% do mercado brasileiro de gás de cozinha. Essas só poderão entrar como parte de uma oferta conjunta e só poderão ficar com parcela correspondente a 40% das vendas da Liquigás.

Nas propostas conjuntas, diz a Petrobras, as empresas podem optar por parceria para operar a distribuidora ou por fatiar suas operações. A Liquigás tem presença em cerca de 4.800 pontos de venda e tem cerca de 20 mil clientes diretos em 25 estados. Em 2018, faturou R$ 4,8 bilhões e teve lucro de R$ 148 milhões.

A venda é parte do plano de desinvestimentos da Petrobras, que quer focar suas atenções na exploração e produção do pré-sal. Adquirida em 2004 do grupo italiano Eni, a Liquigás foi oferecida pela primeira vez ao mercado em 2016, durante o governo Michel Temer.

O veto à operação pelo colegiado do Cade baseou-se em relatório da área técnica que dizia não haver “remédios” suficientes para reduzir os riscos de concentração excessiva do mercado.

As empresas chegaram a propor um acordo de venda de metade da empresa, mas não tiveram sucesso. Com a negativa, o grupo Ultra teve que pagar multa de R$ 280 milhões à Petrobras.

O mercado de gás liquefeito de petróleo (GLP, o gás de cozinha) é concentrado nas mãos de quatro empresas, que detêm 85% das vendas. A Liquigás é a segunda maior, com 22% do total, atrás da Ultragaz, que tem 24%.

A subsidiária da Petrobras, porém, domina a venda de botijões, com 23% do mercado, seguida pela Ultragaz, com 20%. A empresa do grupo Ultra é líder nas vendas a granel, voltada a grandes clientes comerciais e industriais, com 33% das vendas.

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