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UOL – Qual a sua opinião sobre o combate ao roubo de dados no Brasil?

Paula Bellizia – A questão da segurança e da privacidade são cruciais neste momento. Até bem pouco tempo atrás a segurança cibernética caminhava junto com a privacidade de dados, parecia até um complemento um do outro. Hoje não necessariamente.

Passamos e passaremos por situações nas quais esses dois pilares são conflitantes. Em que medida defender a segurança de um grupo de pessoas passa pela questão de privacidade? Em que medida há conflito entre essas duas questões? Procuramos fazer parcerias que mostrem a importância de considerar essas duas questões.

Recentemente assinamos um memorando de cooperação com o Ministério Público de São Paulo. Temos tecnologia que pode ser colocada a serviço do MP, que vai fazer o uso para chegar ao melhor resultado do seu trabalho. Ele, sim, tem poder de regulamentação e punitivo em relação aos crimes cibernéticos.

Temos vencido as batalhas contra os crimes digitais?

Acredito que é uma situação cada vez mais de atenção, cada vez mais crítica, porque as pessoas que estão do outro lado do crime cibernético também estão fazendo avanços claros e rápidos.

Temos sido bem-sucedidos identificando de onde partem esses ataques, que tipo de código malicioso esses ataques estão jogando para raptar máquinas ao redor do mundo inteiro. Temos conseguido chegar a essas pessoas. Mas de nenhuma maneira isso significa que o crime cibernético está resolvido.

Com tantos crimes, a tecnologia é confiável?

A tecnologia tem que ser atualizada na mesma velocidade em que os crimes e os perigos estão acontecendo na internet.

Os carros mais antigos não têm as proteções de airbag que a gente tem hoje, ou a disponibilização dos cintos de segurança para todos os passageiros. Hoje é lei, hoje precisa porque a velocidade é maior, as condições das estradas são diferentes, então você precisa atualizar o que era o mais tecnológico há dez ou 15 anos para as condições de hoje. Acontece exatamente a mesma coisa com a tecnologia digital. Você precisa estar atualizado frente aos desafios atuais. 

A Microsoft sempre esteve posicionada nos desktops, mas o mundo mudou para o celular, para os smartphones. Quais são os desafios da empresa em relação a isso?

Mobilidade, sem dúvida nenhuma, é uma questão importantíssima. As pessoas transitam o tempo inteiro, e os smartphones trouxeram essa mobilidade. Continuamos sendo a empresa que oferece a experiência de mobilidade do ponto de vista de aplicações de produtividade, de colaboração.

Como é convencer pequenas empresas a colocar seus dados em nuvens?

É surpreendente como isso é extremamente bem aceito pelas pequenas empresas no Brasil. Antes uma pequena empresa precisava pagar um alto valor, comprando uma licença de Office ou CRM ou de banco de dados. 

Hoje temos um modelo como serviço, os clientes pagam o que usam, pagam mensalmente, acaba sendo um aluguel mensal. E você não imagina como esse modelo foi absorvido e muito bem aceito pelas pequenas empresas no Brasil. É uma das áreas em que mais crescemos. 

Outra parte importante: o Brasil tem um mercado de startups muito grande. Não existe um censo oficial, mas acreditamos que existam entre 6.000 e 8.000 no Brasil. Antes, para uma empresa oferecer algum serviço de tecnologia, algum aplicativo ou game, era preciso investir em servidores, data centers. 

Hoje não, elas vão pagar pelo uso dessa tecnologia à medida que necessitam para fazer esse desenvolvimento. É um modelo muito mais flexível. Antes era duro, havia um jeito só, investir. Hoje você pode alugar, você pode usar e depois pagar, pode comprar. Existem diversos modelos.

Qual a importância da Microsoft Brasil para a matriz?

Representa um mercado absolutamente importante. Primeiro porque há pouco tempo redefinimos a nossa missão como companhia, que é fazer com que cada pessoa, cada organização no planeta faça mais, seja empoderada por meio de tecnologia. O Brasil, que tem ainda tanta oportunidade do ponto de vista da competitividade, produtividade, é muito importante para que possamos colocar a tecnologia a serviço nesse momento do país. 

Do ponto de vista de tamanho de negócio, o potencial é inegável. É um dos principais mercados. Deixamos isso claro pelos investimentos que temos feito no Brasil.

Como equilibrar desenvolvimento tecnológico, inteligência artificial, com a geração de empregos?

A equação do futuro do trabalho com a presença cada vez maior da tecnologia vai precisar ser repensada.

Não acreditamos na substituição da humanidade pela tecnologia. Acreditamos na ampliação da capacidade humana através da tecnologia.

Geramos dados em um volume, uma velocidade tão exponencial que é humanamente impossível tratar esses dados sem o auxílio da tecnologia. Quantos diagnósticos médicos para tratar casos de câncer não são feitos todos os dias, em todos os lugares do planeta? A tecnologia tem que ajudar a armazenar esses diagnósticos para chegar cada vez mais a diagnósticos precisos para cada pessoa. 

Acreditamos na ampliação da capacidade humana. Isso quer dizer que não vai haver nenhuma substituição ou mudança na sociedade? Não, vai haver, vai haver transformação dos trabalhos. Algumas tarefas, alguns trabalhos serão passíveis de automatização, porém outros tantos trabalhos serão criados.

Vai haver, sim, uma transição entre algumas profissões e alguns trabalhos existentes hoje, que poderão ser automatizados em menor ou maior escala, até que a população esteja preparada e educada para as profissões do futuro.

A nossa maior preocupação tem a ver com a educação. Como vamos treinar pessoas que estão nessas posições que serão transformadas? 

Os setores privado e público precisam fazer uma parceria para que pessoas nesse momento da equação não sejam impactadas ou sejam da menor forma possível. É uma grande oportunidade para o país ter uma agenda clara de transformação da educação para que a gente esteja preparado para o que vai vir, porque virá.

A reforma trabalhista ajuda a criar novos empregos?

Acreditamos que a flexibilização faz sentido. A reforma trabalhista não é só na forma de contratação, mas as novas gerações também querem trabalhar por projetos.

Por exemplo, os desenvolvedores são talentos altamente disputados no mercado, inclusive no Brasil. Como eu atraio esse talento para estar comigo, será que é só com CLT [Consolidação das Leis do Trabalho]?

Talvez não, talvez ele queira trabalhar por projetos e, quando esse ciclo de projetos terminar, ele quer ir para outro, que pode estar aqui na Microsoft, no parceiro, pode estar fora do Brasil.

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