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UOL – Com uma economia globalizada, há lançamentos simultâneos em várias partes do mundo. Ainda é possível ou necessário “tropicalizar”?

João Carlos Brega – Tirando as jabuticabas brasileiras -porque é um absurdo o pino de três pontas [tomadas]- aí você precisa tropicalizar, senão seu consumidor não consegue usar. Temos aqui [Brasil] temperaturas diferentes, as geladeiras têm que estar preparadas com uma vedação específica para suportar e também fazer os ajustes de voltagem.

Mas, do ponto de vista de design, acredito que cada vez mais que o que é bonito, é bonito. Vou dar um exemplo: em portáteis, a batedeira KitchenAid e o mixer KitchenAid são bonitos em qualquer lugar do mundo. Você vai tropicalizar o quê? Não faz sentido porque o design é muito bonito.

Além da tomada, quais outras dificuldades de adaptação do que vem de fora?

Posso falar de carga tributária e um montão de coisas que são jabuticabas, mas o principal começa com os plugs que você precisa efetivamente tropicalizar. Algumas permissões pela burocracia brasileira não fazem sentido porque, se o produto já é homologado com normas técnicas para funcionar nos Estados Unidos, não precisamos repetir os testes.

Deveríamos aceitar a certificação para agilizar, e o Brasil não faz isso. Há várias coisas que podiam ser agilizadas para ganharmos competitividade e propiciarmos ao consumidor a última novidade que é lançada lá fora. Agora, eu garanto uma coisa, no nosso caso [Brastemp, Consul e KitchenAid]: não há nenhuma tecnologia que esteja lá fora que não esteja também acessível aqui no Brasil.

Como o senhor avalia a falta de competitividade do Brasil nas exportações de bens manufaturados?

Jabuticaba. De cada US$ 100 que exportamos, US$ 6 são PIS/Cofins. A Embraco (empresa do grupo Whirlpool que foi vendida à Chinesa Nidec) tem a fábrica no México e lá não há esses US$ 6 do PIS/Cofins. Simplesmente, só no quesito competitividade e custo fiscal do México x Brasil já são seis pontos de diferença.

Vamos continuar falando do México. O funcionário no México trabalha 10% a mais de dias úteis do que o Brasil. O México trabalha 315 em média, e o Brasil trabalha 280, dias úteis, então a diferença começa na largada.

O custo de mão de obra na China, em base 100, é 100, no México é 40, no Brasil 150 e na Itália 250. Isso (no Brasil) é mão de obra com encargos sociais, mas para quê? Para financiar a Previdência Social que, por conta de não ser revista, exige que esses encargos sejam elevados. Você fica num ciclo vicioso, você não sai do lugar.

Se você não fizer a reforma da Previdência, não consegue reduzir os encargos sociais e não aumenta a produtividade. Vamos falar de outro: infraestrutura. Hoje nós temos que colocar a mercadoria no porto 20 dias antes, primeiro pela burocracia, correndo o risco ainda de, por tráfego, congestionamento no porto, o navio ir embora e deixar sua mercadoria.

Precisamos de investimento em infraestrutura. Como é possível você pegar uma soja, sair lá do Mato Grosso e chegar ao porto de Santos e ainda ser muito mais caro do que trazer da China? Não tem lógica. Mas é o nosso custo Brasil. Se não atacar essas coisas de frete, em emoção, buscando competitividade, não vamos ganhar como sociedade.

O que mudou nos hábitos de consumo dos brasileiros nos últimos cinco anos?

Para você ter êxito neste mercado, você não faz mais eletrodoméstico, não vende mais geladeira. Nós ajudamos a preservar a comida. Não vendemos mais lava roupas, ajudamos a cuidar da roupa. Não vendemos mais fogão, ajudamos a preparar a comida.

Lançamos a lavadora em que você consegue, ao mesmo tempo, lavar a roupa branca e a colorida. Lançamos a cervejeira que tem um aplicativo que avisa quando as latinhas estão acabando e você pode reabastecer porque, na realidade, o que você quer é tomar cerveja gelada, e não uma geladeira para a cerveja. Você quer ter a sua roupa limpa e bem cuidada e aproveitar o seu tempo lavando a colorida e a branca juntas. Neste conceito, o que muda é a maneira com que nós ajudamos o consumidor a entender suas necessidades.

Quando o consumidor fez essa transição de um tanquinho de lavar a roupa para uma máquina inteligente?

A própria evolução da sociedade por seus hábitos. Hoje em dia não se usa mais classificar o consumidor por classe de renda. Estudamos os hábitos. O solteiro tem um perfil de querer a coisa mais rápida e prática, mas ao mesmo tempo pode ser longa porque ele sai de manhã e volta à noite.

Você pode lançar um produto que lava e seca, que, apesar de demorar quatro ou seis horas esse ciclo, tanto faz, porque ele vai colocar de manhã e pegar à noite.

Se é um outro perfil de consumidor que tem horários diferentes, muda. Conhecendo o perfil do consumidor e onde ele se identifica com a marca, colocamos os produtos. Isso foi uma evolução da sociedade.

Nós competimos no que chamamos de “share” do bolso do consumidor. Disputamos com telefone, restaurante, essas coisas. É preciso abrir a cabeça e oferecer para o consumidor a satisfação da sua necessidade.

E os consumidores brasileiros são muito exigentes?

Todos são. Todos querem relação custo-benefício. Por isso definimos inovação. Para nós, a inovação tem que ter três critérios.

Primeiro, tem que ser único e fácil de ser entendido pelo consumidor. Precisa bater o olho e identificar.

Em segundo lugar: tem que ser repetitivo, não pode ser um cometa Halley [que demorar para aparecer].

Em terceiro lugar: a relação custo/benefício tem que valer a pena. Se você comparar a nossa cervejeira com um isopor com gelo pelo preço, você compra o isopor, mas, se você quer ter a satisfação da temperatura correta, compra a geladeira.

Essa relação custo/benefício para o consumidor é que vale a pena. E para nós também vale a pena porque permite o investimento. São essas três coisas: facilidade, repetição e relação custo/benefício. Atingiu as três é inovação.

O mercado de eletrodomésticos continua estagnado?

Continua. Estamos em volumes de 2011, 2012. Complicou mais em 2015, quando fomos ladeira abaixo. Estabilizou há quase dois anos, na mudança de governo. Estávamos em recessão e aí paramos. A tradução que eu faço é a seguinte: você quebrou o braço e é aquela dor. Você para de mexer, para de doer.

Foi isso que vivemos nesses dois anos de governo Temer, parou de doer. Agora, esperamos que o novo presidente tire a radiografia, coloque o gesso e espere crescer. E trabalhamos com essa certeza de que haverá crescimento no nosso mercado em 2019.

Como a Whirlpool encara os concorrentes coreanos e chineses?

Eles estragaram o mercado de micro-ondas e foram embora. Você vai lá em Manaus e tem gente com dívidas de impostos. A Whirlpool compete com todos no mundo inteiro, e o nosso trabalho é fazer as nossas marcas suportadas por nossos produtos e serviços encantarem os consumidores.

Os chineses não atrapalham ou não assustam?

Não somos arrogantes, mas muito confiantes de nossas marcas e capacidade para continuar garantindo a lealdade do consumidor. Competição sempre vai ter e é salutar. Seja quem for.

Já foram americanos, já foram europeus, talvez agora sejam coreanos, amanhã são chineses, mas temos muita confiança que trabalhando nos quatro pilares estratégicos da Whirlpool -liderança de marca, liderança de produto, excelência operacional e pessoas- vamos ganhar esse jogo.

O que o senhor faz para lidar com a pressão do dia a dia?

Primeiro. faço o que gosto. Segundo, faço exercício. Começou por orientação médica e agora por necessidade. Quando estou fazendo exercício, eu xingo, extravaso, e, quando posso, pego meu jet ski e saio.

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